Existem aquelas histórias que você conta nas festas e rodas
de amigos, quando ninguém mais te dá atenção e todo mundo
já está bocejando das suas piadas. O Histórias Massa é um arquivo
dessas histórias que - se forem mentira, a culpa não é nossa.
19.6.09
O armário
Apolônio recebeu o telefonema do mestre-de-obras com surpresa: - É doutor, uma velhinha, bem velhinha, está aqui na porta pedindo o armário dela de volta. - Armário?! Mas não tem nenhum armário, a casa estava vazia quando eu comprei. - Mas ela insiste, disse que quer o armário dela de volta. - Olhe, não tem armário nenhum. Diz que não sabe do que ela está falando. Fala qualquer coisa.
Apolônio tinha comprado a casa havia pouco tempo. Uma casa antiga, tipo sobrado, apesar de precisar de uma boa reforma, valia a pena. Mas armário? Ele não lembrava de nenhum armário. Ligou para a sua esposa, só para se certificar, mas ela também não lembrava de nenhum móvel esquecido.
A reforma ficou pronta. Fizeram a mudança, moraram lá por um bom tempo, mas a história do armário da velhinha assombrou o casal por um bom tempo. O que seria aquela velhinha? De que armário ela estava falando?
Mas Apolônio acabou vendendo a casa e foi morar num apartamento.
Foi aí que Koffka, amigo do casal, teve uma brilhante idéia. Pegou a sua tia avó, velhinha, bem velhinha, e deixou na porta do novo prédio. Quando ele atendeu o interfone, o porteiro disse: - Seo Apolônio, tem uma velhinha aqui em baixo, ela veio buscar o armário.
Um assaltante entra em um salão de beleza na Rússia e é rendido com o fio do secador de cabelo por uma cabeleireira praticante de artes marciais. Até aí a história é estranha.
Mas o que torna a história massa é o fato dela ter abusado sexualmente dele por dois dias obrigando-o a tomar Viagra. E o fato dos dois registrarem queixa na polícia. Por motivos diversos, é claro.
Tarsinho - garoto saudável, equilibrado e o maior fã deste blog - acabou, sabe-se lá como, parando em uma boate de rock de terceira categoria. Bêbado e animado - na mesma noite ele havia declarado que "para ficar bêbado, o mais importante é a disposição" - ele dançava quando foi abordado por uma garota. - Nossa, como você parece feliz. - Pôxa, muito obrigado. É que eu... - Eu não quis dizer como um elogio!
Carmélia, fonoaudióloga, trabalhava no posto de saúde quando recebeu uma mãe dizendo que a sua filha tinha um problema.
Feitos os exames preliminares, ficou claro: a menina tinha uma redução na sua capacidade auditiva, o que ocasionava uma dificuldade também na fala.
Estranhando o fato da menina já ter uma idade avançada para esse diagnóstico, Carmélia imaginou que houvesse outro problema. E perguntou: - Qual é a queixa? - Minha filha não fala direito nem entende o que a gente diz, doutora. - Sim, isso eu percebi. Mas quando surgiu o problema? - Ela é assim desde que nasceu. - Mas a senhora só se deu conta que tinha alguma coisa errada com ela agora, quando a menina já tem quase 10 anos? - É doutora. É que antes eu não achava que era um problema. Eu pensava que ela era estrangeira.
O assunto era religião. Contavam as experiências com candomblé, de como o exótico do ritual dava a impressão de estar mais próximo do metafísico do que os rituais cristãos. E de como nesses momentos coisas inexplicáveis sempre aconteciam.
Eram todos céticos, vale lembrar. Mas ouviam as histórias como se esperassem que uma revelação bombástica lhes trouxesse a fé.
Seo Kato contou que a sua mulher decidiu levar a irmã, que tinha Síndrome de Down, a um terreiro pois sentia que ela andava muito perturbada e agitada. Apesar de já estar se aproximando dos 30 anos, a cunhada de Seo Kato não falava e mal interagia com o mundo. A Senhora Kato já havia tentado outras religiões, todas elas sem sucesso.
Depois de todo o ritual, banhos de ervas e passes, ela parecia realmente mais calma.
Na hora de ir embora, Seo Kato colocou a cunhada no banco de trás do carro. Dava a volta e se dirigia ao lugar do motorista quando ela abriu a porta e saiu.
Seo Kato estranhou. Mas voltou e a colocou novamente no lugar. Mal virou as costas, ela saiu novamente.
Ele não entendia aquele comportamento. Sentia que algo de estranho estava acontecendo. Teve a sensação de ela estava querendo ficar no terreiro.
Até que veio a revelação: ela estava apertada e precisava ir ao banheiro.
Everton Nikopolidis estava organizando o seu casamento quando soube que para poder casar na igreja que a sua noiva havia escolhido precisaria ir na sua paróquia de origem pedir a transferência.
Ele, pouco católico e nada praticante, que não sabia que tinha uma paróquia para chamar de sua, foi informado que o comprovante de residência solicitado para a reserva da data servia para determinar a paróquia de origem.
Nada mais óbvio. Sua paróquia é a mais próxima de onde você mora. Esqueça esse negócio de afinidade com o santo e com a comunidade. Afinal, não existem devotos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, somentes devotos da Rua do Sumidouro nº 15.
Sem desistir, Nikopolidis foi até a sua paróquia negociar a transferência. Isso mesmo, negociar. Com uma tabela na mão, o padre foi logo perguntado para onde ele queria transferir: - Para uma igreja em Diadema! - Então são R$ 20 pela transferência. - Não, tava brincando. É no Jardim Europa, mesmo. - Aí são R$ 250.
Indignado, Nikopolidis perguntou: - Mas como assim? O frete da minha alma não deveria ser mais barato para um lugar mais próximo?
Primeiro dia de aula. O prefessor entra na sala e dispara a chamada. O último a ser chamado foi Wallace Astolfo: - Presente! Professor, o senhor poderia me chamar só de Astolfo? Acho o nome Wallace horrível. - Sem problemas, Astolfo. É um prazer conhecê-los, meu nome é Wallace Gomes e eu vou ensinar...