Existem aquelas histórias que você conta nas festas e rodas
de amigos, quando ninguém mais te dá atenção e todo mundo
já está bocejando das suas piadas. O Histórias Massa é um arquivo
dessas histórias que - se forem mentira, a culpa não é nossa.
30.6.03
Strip-tease
Cidade grande, sabe como é: edif?cios de frente uns pros outros, como se cada janela fosse uma vitrine do cotidiano de pessoas comuns. Esse amigo meu mora num prédio cujo quarto fica estrategicamente posicionado de frente para a varanda de outro prédio. Certa madrugada, ele chega em casa embriagado, com dor-de-cotovelo e morto de cansado, pensando apenas em sua suave caminha. Ao entrar em seu quarto e abrir a janela, observa que uma pessoa no prédio em frente ao seu est? na varanda. Ele perambulou um pouco pelo quarto e, voltando à janela, percebeu que a pessoa continuava l?, voltada para sua direç?o.
De repente, tomado por um instinto exibicionista que até ent?o ele desconhecia, meu amigo começou a tirar a roupa sensualmente, de luz acesa, bem em frente à janela. De rabo de olho, viu que a pessoa continuava l?. "Se t? olhando, é porque t? gostando", pensou. Empolgado com a audiência, ele começou a imaginar uma trilha sonora e tome-lhe tirar a roupa, até ficar nuzinho em pêlo, vestir um short e atirar-se na cama. O espectador permanecia im?vel, assistindo ao show até seu ?ltimo instante.
Na manh? seguinte, chumbado de ressaca, o meu amigo levanta e vai à janela dar mais uma olhada em direç?o ao camarote de seu voyeur. Para sua surpresa - e total decepç?o - o ?vido espectador da noite anterior nada mais era do que uma planta arrumada em cima da cadeira, encostada na grade da tal varanda.
Essa história de vida ou morte se passou com um amigo, que mesmo já tendo sido bolinado na Estação da Lapa, foi com o trágico episódio a seguir que sua vida mudou para sempre.
Vinha ele resmungando, como de costume, voltando do shopping onde havia gasto uma fortuna em presentes para sua namorada, quando decidiu atravessar a Avenida ACM. Tarefa fácil para a maioria das pessoas, mas não para ele, que não faz uso de sapatos, preferindo os chinelos de dedos bem maiores que seu pé.
O mau-humorado rapaz iniciou sua travessia bem, ultrapassando a primeira faixa com certa facilidade. Mas na hora de começar a segunda etapa, seus chinelos gigantescos e seus pés se desentenderam, causando uma perda de estabilidade que ocasionou um processo de catação de fichas.
Depois de alguns metros de tropeços e um rolamento muito estranho, ele acabou deitado, de barriga pra cima e braços abertos, no meio da ACM. Nisso, ele bateu a cabeça no asfalto, o que o deixou um pouco atordoado.
Nesse instante, um ônibus em alta velocidade passa raspando por ele, buzinando e dando luz alta. Ele levanta tonto, e só consegue pensar: "eu vou morrer, eu vou morrer". Ainda no meio da rua, avista ao longe, em alta velocidade, vários carros vindo em sua direção. Diante desse quadro ele só consegue pensar: "eu vou morrer, eu vou morrer".
No susto, ele deu um pulo e conseguiu alcançar a calçada. Sentado no chão, em local seguro, só fazia chorar e pensar: "eu podia ter morrido, eu podia ter morrido".
Mais tarde ele relatou que aquela história de rever toda a sua vida diante dos seus olhos em situações de morte iminente é verdade. Eu não acredito. Se fosse, ele teria comprado um tênis ou um sapato depois do que aconteceu. Vai ver ele não comprou por birra.
Quem contou esta história foi uma atriz-psicóloga. Mesmo sendo uma fonte pouco confiável, lá vai.
Certo dia, nossa protagonista está no campus de São Lázaro - um misto de matagal, mansão assombrada e comitê da UJS - quando um rapaz se aproxima, pedindo que ela responda algumas perguntas para uma pesquisa. Apesar da estranheza da figura, ela se coloca à disposição.
O pesquisador abre seu caderno, na transversal, sem nenhuma pergunta anotada e começa a explicar - muito constrangido - que fazia parte de uma associação de podólatras. Nossa amiga, notando o constrangimento da figura, incentiva que as perguntas sejam feitas logo.
"Você sabia que 99% dos homens são podólatras," diz o entrevistador "mas não admitem nem para si mesmos?" Apesar de intrigada com o método de pesquisa, ela simplesmente respondeu que não.
Ele, sempre muito envergonhado, fez uma bateria de perguntas sem muita importância, enaltecedo a podolatria e explicando os percalços da vida dos praticantes dessa modalidade sexual minoritária.
Chegando ao fim da entrevista - que mais pareceu uma confissão - o entrevistador pediu para ver o pé da entrevistada. Um pouco envergonhada, ela tirou o tênis do pé direito, ouvindo que seu pá era "muito bonito" - coisa que ela, em particular, discorda. Após admirar por alguns momentos, o esperto pesquisador pediu para massagear o pé de nossa amiga, recebendo uma enfática recusa.
Depois disso, sutilmente, o pesquisador introduziu o tema dos cheiros do pé. "Tem gente que tem tesão pelo cecê", largou ele como quem não quer nada, "por que não ter tesão pelo chulé". Mesmo concordando que o raciocínio era bastante razoável, nossa amiga se perguntou o motivo por trás desse comentáario. Logo ela entendeu.
Diante de mais uma recusa - a menina teve a coragem de regular uma demonstração dos odores de seus pés - o "pesquisador" começou a implorar que ela não contasse para ninguém o ocorrido. Coisa que - obviamente - ela não fez. Ao comentar com amigas, ela ficou sabendo que o Podolátra de São Lázaro já havia pesquisado outras colegas antes.
Uma mulher está tranquilamente lavando pratos na sua cozinha, na Índia. De repente, ela ouve os gritos de seu filho de apenas três meses, Neo, que estava adormecido no quarto. Correndo até lá, ela vê um babuíno carregando a criança sob um braço.
Os vizinhos ouvem os gritos e jogam pedras e soltam cachorros para cima do macaco. Mas, a essa altura, a fera já havia desaparecido na mata. A mãe encontra Neo no chão, ainda respirando e sangrando muito pelo crânio.