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Existem aquelas histórias que você conta nas festas e rodas
de amigos, quando ninguém mais te dá atenção e todo mundo
já está bocejando das suas piadas. O Histórias Massa é um arquivo
dessas histórias que - se forem mentira, a culpa não é nossa.

 

28.10.03
Caceterão

História Massa enviada por Érico Monte

Caceterão sempre foi um desses tipos descolados e populares, desde os tempos de escola. Agitador da turma, favorito das garotas, ser o garanhão da sala era motivo de orgulho para o mancebo. Enquanto seus amigos se esforçavam para conseguir uma namoradinha na quinta série, ele já tinha a sua matriz e algumas filiais espalhadas por aí. Com o passar do tempo, como era de se esperar nosso protagonista foi o primeiro entre seus amigos a perder a virgindade, palavra que tira o sono de muitos jovens.

O conquistador não era fominha e, sempre que podia, arranjava encontros para seus amigos. Caceterão, porém, sempre foi muito curioso aos temas do amor e fazia questão que seus comparsas revelassem suas intimidades. Ele mesmo era o primeiro a abrir a boca. Caceterão não via sentido em levar uma mulher para cama, sem depois contar suas aventuras numa mesa de bar. Há quem diga que em plena hora H ele já ia pensando em como ia narrar o acontecido.

Quanto mais picante fosse a noite de amor, mais realizado ficava Caceterão. Ele era adepto da sacanagem sem culpas, contava aos quatro ventos que fazia isso e aquilo na cama, no chão, no banheiro, na cozinha, na fazenda, na piscina, no carro... Com sua lábia, Caceterão conseguia que suas amantes aceitassem propostas do arco da velha. Pelo menos, é o que seus amigos ouviam.

Mas a grande história de Caceterão ainda estava por ser contada. Como apreciador de uma boa sacanagem, seu sonho era organizar uma grande orgia, com direito a troca de casais, na qual seus amigos mais próximos estivessem presentes. Idéia fixa, ele fracassou diversas vezes, com desistências de última hora. Enquanto o grande dia não chegava Caceterão especulava como seria o seu desempenho, satisfazer duas mulheres ao mesmo tempo e por aí vai.

Até que um dia, numa inocente saída à noite sem muitas promessas, Caceterão alegou cansaço e voltou para casa mais cedo. Dois de seus amigos continuaram na rua e acabaram saindo com duas moças de família que topam tudo numa boa e acabaram divertindo-se a valer. A notícia soou como uma bomba nos ouvidos de Caceterão que, inconformado em ficar para trás, usou de todas as manhas do seu arsenal até conseguir marcar uma noitada semelhante na semana seguinte.

Empolgado. Ele só falava nisso, se tudo o que dizia se concretizasse ele ficaria conhecido pela eternidade como uma máquina de sexo. Caceterão tinha cuidado de todos os detalhes para que a sacanagem rolasse solta. O clima foi esquentando, esquentando, até que Caceterão anunciou ao companheiro de farra:
- Vou mandar bala!

Caceterão posicionou a parceira na posição que mais o agradava, entrou em posição e, quando tudo estava engatilhado, a garota olha para trás no fundo de seus olhos e suplica:
- Judia de mim, judia.

O tiro saiu pela culatra, deu chabu, ou seja, o infalível Caceterão não agüentou o rojão e broxou. Todos os presentes tentaram reanimá-lo, mas os esforços foram em vão. Ele permaneceu cabisbaixo. Desse dia em diante nosso anti-herói deixou de lado a velha alcunha, e passou a ser conhecido por Nega, Pagodinho.

Judia de mim, judia...