Existem aquelas histórias que você conta nas festas e rodas
de amigos, quando ninguém mais te dá atenção e todo mundo
já está bocejando das suas piadas. O Histórias Massa é um arquivo
dessas histórias que - se forem mentira, a culpa não é nossa.
12.8.05
O Depósito Enviado por Mardilli Costa
Abnael Simões tinha acabado de receber o 13º salário. Foi ao banco decidido a depositá-lo integralmente na poupança. Ainda não havia chegado nem perto do caixa quando foi anunciado o assalto.
A quadrilha estava dividida em duas. Uma parte recolhia o dinheiro dos caixas, a outra os pertences dos clientes na fila. Abnael nem teve tempo de esconder o montante, um dos meliantes já foi logo lhe pedindo pra passar todo o dinheiro.
Ele tentou defender seu patrimônio: - Mas moço, este é todo meu salário! Minha mãe é uma velha doente, toma muitos remédios, sem esse dinheiro a minha família não vai ter como comprar comida.
O agadanhador então pegou Abnael pelo braço e o levou à boca do caixa: - Moça, a senhorita deposite o dinheiro dele.
O larápio pegou o comprovante de depósito, entregou a Abnael, virou pra moça do caixa novamente e disse: - Agora, moça, a senhorita passa esse dinheiro pra cá.
"Ainda na minha infância, o meu pai defendeu um réu em situação complicada. Sustentou que ele cometera o homicídio em legítima defesa da honra. O promotor aparteou: “Legítima defesa da honra como, se ele atirou na vítima pelas costas?” Alguém, na assistência, gritou: “E honra tem costas?” Noutro júri, no interior de Santa Catarina, iam longe os trabalhos, quando um jurado levanta a mão, timidamente, e pede para ir ao banheiro. Calouro inexperiente, o juiz não permite: “Não pode não.” Promotoria e defesa correm em socorro do necessitado, para granjear-lhe a simpatia. O juiz, então, pergunta: “Quer dizer que ambos os senhores concordam em que o jurado vá ao banheiro?” A resposta vem enfática, de um lado e do outro: “Concordo!” Vira-se, então, o juiz para o jurado: “Neste caso, meu amigo, deixa eu ir primeiro porque estou apertado há muito mais tempo.” Ainda no júri, desta vez em Mangaratiba, se a memória não masca, o escrivão lia as peças do processo. Chegou ao depoimento: “que ouviu quando a vítima mandou o réu à p... que o pariu”. Gargalhadas. O juiz fala grosso. Ameaça evacuar o recinto. Restabelece a ordem. Volta-se para o escrivão: “Onde estávamos, seu fulano?” “Na p... que o pariu, doutor.” Ainda no gênero, o advogado estreante e muito nervoso, numa sustentação no tribunal: “Então, senhores desembargadores, a vítima provocou o réu, gritando: seu f. da p...,” em vez de “seu filho da p.”
Episódios grotescos, como aquele em que o juiz ensimesmado (no foro, costuma-se dizer atacado de “jurizite”) repreende com aspereza a testemunha humilde que o tratou de "senhor". Em voz alta: "o tratamento devido ao juiz é de 'excelência', compreende?" Encerrado o depoimento, o juiz mete-se numa longa conversa com o escrivão. Esquece-se de liberar a testemunha, que cria coragem e se dirige a ele: "Majestade, eu posso ir embora?" Igualmente grotesca a sentença de um juiz paulista, dando diminuta indenização à vítima que perdera o dedo mínimo, num atropelamento: "Não dou quantia maior porque o dedo mínimo não serve para nada e tende a desaparecer com a evolução da espécie." Fala-se também na reduzida soma concedida por ele a uma mulher que, numa discussão de rua, levou um soco na cara: "Não merece indenização maior. Se estivesse em casa, que é onde deve permanecer toda mulher, cozinhando para o marido, não teria se exposto à ocorrência."
O folclore dos advogados é interminável, inclusive porque, mais numerosos que qualquer outra categoria forense, são mais freqüentes os erros deles. Velhíssima a história do advogado, requerendo a abertura de um inventário: "o 'de cujus' (expressão latina que designa o morto, de cuja herança se trata) deixou viúva e três 'decujinhos'". Pior, aquele advogado que, para tocar a sensibilidade do júri, concluía a defesa: "o réu, senhores jurados, é um homem paupérrimo, mas honrado e trabalhador. Na última enchente, visitei o seu casebre. Boiavam, no chão alagado, as suas ferramentas de trabalho: boiava formão, boiava serrote, boiava martelo…" Não se conteve o promotor. Violou a regra de que não se aparteia o adversário na peroração, e interveio para dizer que aquilo era uma sandice. "Desde quando martelo, serrote e formão boiam?" Veio tranqüila a resposta: "quanta ignorância! Se navio, muito mais pesado, bóia…" Não custa lembrar o velho advogado, pela primeira vez na tribuna do Supremo Tribunal Federal. Ele enaltece longamente o tribunal. Pára: "não que eu esteja querendo puxar 'os sacos' de V.Exas”. Há ainda a história do advogado, citanto na série, numa petição, o maior jurista brasileiro: “Diz o ‘impagável’ Pontes de Miranda, de ‘saudável’ memória.” E para não deixar de fora o Ministério Público, existe a daquele promotor que deu parecer contrário ao pedido da mãe para vender imóvel da filha menor, porém já de triste fama: "MM. Juiz, sou contra. Conheço a mãe. Conheço a filha. Depois lhe conto"."