Links Aoristo Arquivos |
Existem aquelas histórias que você conta nas festas e rodas de amigos, quando ninguém mais te dá atenção e todo mundo já está bocejando das suas piadas. O Histórias Massa é um arquivo dessas histórias que - se forem mentira, a culpa não é nossa. 18.11.06 Derrapada (Episódio I) Clóvis já tinha virando a esquina quando peidou no esparro. Pra quem não sabe, peidar no esparro é esperar expelir algo no estado gasoso e ser surpreendido por algo em qualquer outro estado (até mesmo plasma!). É uma questão quase quântica. Existe o conhecimento a respeito da existência da substância. Não se sabe ao certo em qual estado físico ela se encontra. Para descobrir, você precisa interferir no sistema, até então estável. Ao interferir no sistema, pronto, tá feita a merda. E Clóvis fez a merda. Na cueca. Enquanto isso sua namorada, Cremilda, dava aquele primeiro passo em direção à rua. Esperando o carro parar para abrir a porta. O odor da substância de estado físico antes indefinido, que agora ele sabia ser sólido, já tomava o carro. A situação era mais crítica, pois ele vinha com os vidros devidamente fechados para melhor aproveitamento do recém instalado sistema de refrigeração. Ao ver a namorada dar o tal passo em direção a ele, sem encontrar qualquer solução possível para evitar o vexame, Clóvis tomou a única atitude cabível: acelerou o carro. Cremilda ficou parada com a mão estendida em direção a uma maçaneta de carro que supostamente estaria ali. Clóvis, prevendo o fim iminente do seu relacionamento caso nenhuma explicação convincente fosse dada, e sem a capacidade, dentro das circunstâncias, de inventar uma explicação ficcional verossímil, decidiu encarar a verdade: - Ela me ama, ela vai entender. E parece que Cremilda amava mesmo, pois foi bastante compreensiva. Como os pais dela não estavam em casa, convidou Clóvis para subir e se limpar. Ele aceitou o convite constrangido. Entrou no elevador de serviço torcendo para ele não fazer nenhuma escala até o 14º andar. Cemilda, por segurança, subiu pelo elevador social. A operação de logística foi um sucesso. Poucos segundos depois Clóvis terminava o serviço sentado num vaso sanitário. Limpo e aliviado, Clóvis se viu com um último problema a ser resolvido: devido ao estado lastimável, a cueca não tinha mais como ser salva. Pegava muito mal jogar no lixo, pois os pais de Cremilda poderiam se assustar com uma cueca suja no banheiro das filhas. Sem contar com o cheiro, que em poucos minutos seria capaz de tomar todo o apartamento. Como todas as decisões tomadas em momentos de desespero, a solução de Clóvis também foi sábia e ponderada: jogou a cueca pelo basculante.
|